Lesões Agudas de Joelho

Orientações Gerais

Freqüentemente, estão sendo chamados médicos fisiatras ou generalistas para prestar primeiros socorros em pacientes com lesão músculo-esquelética. Este artigo discute o mecanismo de lesões, diagnóstico e tratamento, com ênfase em quando encaminhar para um ortopedista. Discute-se aqui vários tipos de lesões de joelho que requerem atenção, incluindo lesão do mecanismo extensor, algumas sub-luxações, lesão ligamentar e lesão de menisco, colocados em linguagem de fácil entendimento para a população geral.

Classificação e triagem

Lesões agudas do joelho são classificadas em ósseas ou lesões de partes moles e lesões mecânicas de alta ou baixa energia. No entanto, há um sistema de classificação para fraturas perto da articulação de tíbia e fêmur, que são geralmente nomeadas de aberta ou fechada e também com ou sem desvios. Lesões agudas do joelho, além disso, são caracterizadas pelo envolvimento de um ou ambos côndilos (região do fêmur próxima ao joelho), com ou sem comprometimento neurovascular (nervos, artérias e veias).

Lesão óssea com desvio da parte inferior do fêmur ou da parte superior da tíbia devem ser urgentemente encaminhadas a um cirurgião ortopedista. Fraturas sem desvios devem ser conservadoramente tratadas (sem operação) em até uma semana. Com qualquer fratura, o assunto mais importante será se é aberta ou fechada. Com fratura aberta, em que a perfuração, laceração, ou defeitos de tecidos moles, comunicantes com a fratura, requerem limpeza imediata e regularização da ferida.

Radiografia

A série radiográfica apropriada é crítica na evolução da lesão de joelho. Raio X irá avaliar as fraturas, visto que nas radiografias as lesões de tecidos moles ao redor do joelho não aparecem. Será preciso, no mínimo, radiografar em três posições:

Provavelmente, fraturas da parte superior da tíbia irão precisar de uma nova radiografia na posição oblíqua, para facilitar o diagnóstico. Lesões osteocondrais (que envolvem cartilagem) nos côndilos podem não ser reconhecidas na incidência anteroposterior.

Lesão do mecanismo extensor

A lesão aguda do mecanismo extensor deve ser dividida em cinco tipos e todos devem ser encaminhados para um cirurgião ortopedista. Incluem ruptura de tendão quadriciptal, fratura de patela, ruptura do tendão patelar, sub-luxação e deslocamento de patela, avulsão e fratura do tubérculo tibial.

Ruptura do Tendão Quadriciptal

Esta lesão geralmente ocorre em pacientes entre 40 e 50 anos que realizam atividade física ou sofrem queda com o joelho flexionado. No exame físico o paciente é incapaz de realizar a extensão do joelho, uma falha pode ser palpada próxima à patela. Exames de imagem podem ajudar na confirmação do diagnóstico.

Fratura de Patela

As fraturas da patela variam de simples para complexas e podem ocorrer com desvios ou sem desvios. Ocorrem nos esportes, sendo normalmente resultados de queda sobre os joelhos, impacto direto sobre o joelho ou uma contração forte do quadríceps.

Na maioria dos casos, o desvio será evidente tanto clinicamente como na radiografia.

No exame clínico, a porção da patela é retraída para cima e será um defeito visível e palpável entre os fragmentos, podendo ocorrer em toda sua extensão.

Médicos e pacientes devem estar atentos em anomalias ósseas que produzem a patela bipartida ou tripartida entre 1% até 4%. Uma característica padrão é a borda superolateral que pode aparentar uma fratura, na verdade esta imagem não tende mostrar diferenças com uma fratura aguda. Uma lesão no local pode resultar em dor localizada na região da união do fragmento bipartido tornando-se móvel. Em paciente que não mostra sintomas, não necessita de atenção desde que o médico sinta-se seguro com o diagnóstico.

Fratura patelar com desvio são geralmente associadas com rompimento do retináculo quadriciptal (contensor da rotura) e requer tratamento cirúrgico que envolve redução aberta e fixação interna. Uma fratura sem desvio pode ser tratada de forma fechada (sem cirurgia) colocando-se um imobilizador de joelho. Não obstante, devido aos problemas associados a artrofibrose (joelho rígido), é aconselhável que o paciente seja encaminhado para um cirurgião ortopedista, com orientação de tratamento adequado o mais rápido possível.

Fonte: Dr Rene Abdalla – médico da rede Personal Network Care Plus