De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nunca se consumiu tanto açúcar como ultimamente. E os brasileiros estão contribuindo (com gosto) para que esse cenário se mantenha. E isso só faz aumentar os problemas de saúde relacionados a uma ingestão abusiva do ingrediente.

“Mas eu tomo tudo sem açúcar.” Será?

Entre sachês em xícaras de café, fartas colheradas em receitas de sobremesas e quantidades expressivas de produtos industrializados, por dia, cada brasileiro, consome em média 18 colheres (chá) de açúcar. Isso corresponde a 80g. Não parece muito? O recomendado pela OMS é o consumo de, no máximo, 12 colheres (chá) por dia. Extrapolamos a conta.
Você pode até pensar: “Ah, mas eu tomo tudo sem açúcar, é impossível que consuma essa quantidade”. É louvável que você já esteja na missão de exclusão do chamado açúcar de adição — que é aquele que a gente usa para “incrementar” as preparações. Mas é nesse ponto que os alimentos industrializados podem derrubar o seu raciocínio. Ainda de acordo com a OMS, nos últimos 15 anos, a quantidade de açúcar na composição dos alimentos processados dobrou.

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De olho no rótulo!

Quando a gente fala em alimentos com uma grande quantidade de açúcar, doces e refrigerantes entram automaticamente no radar. Sim, eles são representantes máximos da categoria, mas outros produtos (muitos, inclusive, de sabor salgado) não podem passar batidos. É o caso das barras de cereais, ketchup, iogurtes, granolas, molhos prontos, sopas, biscoitos, congelados, pães de forma, entre outros.
Como o açúcar é um excelente conservador de alimentos, é usado em grande escala pelas indústrias. (Mesmo aquelas que têm a maior boa vontade de parecer “fit”.) Pode reparar nos rótulos dos produtos das prateleira dos mercados ou da sua dispensa: vai ser difícil encontrar algum sem açúcar na lista de ingredientes.
Daí a importância de seguir aquela boa e velha recomendação do Ministério da Saúde, a regra de ouro do Guia Alimentar para a População Brasileira: prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. Essa recomendação está em concordância com a perspectiva de promover a alimentação adequada e reverter o cenário de crescimento do excesso de peso e da obesidade. Ainda que o excesso de açúcar não mexa apenas com os números da balança.

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O que você ganha vivendo sem açúcar

Os problemas decorrentes dessa ingestão exagerada vão muito além de peso corporal extra e cáries (que também são muito comuns na vida do brasileiro, vale o alerta). A quantidade de açúcar presente nos alimentos industrializados está associada a altas concentrações de nutrientes inflamatórios (conhecidos como mediadores do processo de aterosclerose), criando o ambiente ideal para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. E não para por aí.
Quanto mais açúcar você consome, mais alta fica a glicemia (que é a quantidade de glicose presente no sangue). Quanto mais alta a glicemia, maior o nível de insulina circulando no corpo. Consequentemente, maior o risco se desenvolver tolerância à insulina e, posteriormente, diabetes tipo II. (E aí vai um segredinho: a insulina é um hormônio que estimula o organismo a estocar gordura. Então, já viu…)
Além disso, o abuso de açúcar favorece a liberação de radicais livres, o que acelera os processos de deteriorização das células do corpo (inclusive, as da pele!). Também gera triglicérides (um tipo de gordura), o que leva ao seu conhecido efeito “engordativo" e todos os outros problemas associados ao sobrepeso e à obesidade, como o câncer.

Preciso ficar completamente sem açúcar?

É interessante que sim, mas não precisa ser nada radical. Afinal, estamos falando dos riscos da ingestão excessiva, certo?
Tentar excluir totalmente o açúcar da alimentação é algo difícil, mas não impossível. Para não ultrapassar os níveis seguros de consumo, o Ministério da Saúde comenta que o ideal é educar o paladar, reduzindo o dulçor de bebidas e preparações aos poucos, até que se acostume com tudo sem açúcar. Nesse processo, vale chamar a atenção para os adoçantes.
Pensando em ter uma alimentação saudável, muita gente entende que ficar sem açúcar é o mesmo que usar (e abusar do) adoçante artificial. Ainda que o consumo do produto seja seguro, essa não é uma boa estratégia se a intenção for educar o paladar e rever as escolhas alimentares. Nesse ponto, o Ministério da Saúde é categórico: sentir o sabor real do alimento é o melhor caminho para uma vida sem açúcar.

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